quinta-feira, março 15, 2012


- Ei garota, levante, o sol está tão belo e você está ainda deitada, com os olhos inchados, com as marcas sobre seu braço, com a mesma falta de ânimo para viver. Você se lembra quando foi a última vez que você pulou da cama e deu o seu sorriso mais sincero? Não né? Você tinha o sorriso mais belo, seus olhares pela janela brilhavam mais que a luz do sol, seu corpo era quente, sua vontade de gritar vinha do coração, e ecoava da sua boca num tom tão sútil. Eu tinha orgulho daquela garota, mas hoje ela se encontra tão cabisbaixa, se escondendo no seu mundinho, impedindo que qualquer pessoa, até aquela que veio com o objetivo de ser seu anjo, te faça feliz. Não te julgo, eu sei que seu coração está a beira de párar, deixe-me tirar essa dor do seu peito. E quando acordar, não vá direto para o seu livro, eu entendo que ele é o seu único refúgio, que não há ninguém melhor para te ouvir em silêncio e não te insultar, mas você precisa de muito mais que um diário, de lágrimas sobre cada página, de um travesseiro, o que você precisa nesse exato momento é de um abraço, infelizmente um que você se convenceu que nunca terá. “Não diga mais nada. Eu tenho medo, estou levando um fardo que eu nunca pedi, nunca quis ser perfeita, nunca quis ter o mundo aos meus pés, muito menos pedi tempo as coisas, deixei a vida se dirigir para onde ela quisesse, nunca indaguei que precisava de um príncipe, eu precisava apenas de um colo. Me vejo tão deslocada, não culpo a ninguém, mesmo que a maior culpa seja dos outros. Entenda. Quando eu mais precisava achar respostas paras minhas incertezas, eu mais achava motivos para me enrolar e me sentir mais estranha aos meus olhos. Eu não reconheço o corpo e os olhos frios, sem brilho que olho no espelho. Sinto-me como uma estranha, sinto como se estivesse num sonho eterno, ou melhor num pesadelo, e quando acordar o pesadelo só terá tendência a aumentar, sair na rua será o meu maior medo, as pessoas vão olhar para mim com os mesmos olhos, as pessoas que eu amo não estarão preucupadas com os meus colapsos, só dirão que eu mudei, irão gritar comigo como se me conhecessem o suficiente para isso, e eu de modo algum saberei me defender por estar sem forças para suportar. Já não sei por onde caminhar, e se devo seguir ou ficar imóvel aqui, caída como o mundo me deixou, em pedaços. Todos acham que eu gosto de fingir, que eu gosto de levar uma vida que não é minha, de sorrisos simulados. Eu estou sufocando, eu preciso correr, preciso dizer tudo o que eu sempre quis, mas não vejo em quem confiar, não tenho motivos para acreditar em alguém que nunca se preucupou comigo, eu só sei que preciso deixar pessoas, coloca-las no meu baú de más lembranças, eu só não ando me esforçando para deixa-lás de canto, eu não quero viver sem elas, como elas vivem tão facilmente sem mim. É tão engraçado, você acha tão crescida, e se encontra tão ingênua quando se ama, você tem motivos o suficiente para dizer que consegue viver sem sofrimentos, e raramente não está sofrendo, contraditório é que nada disso possui graça alguma para mim. Mas nesse meio tempo eu cresci sim, enquanto as pessos atuam e fazem seus papéis de amavéis, eu observo cada erro delas, eu dou risada por elas acharem que eu ainda sou a mesma que fechava os olhos para o mundo. Eu só não entendo, quando eu me vejo dando as costas para a verdade, para a minha razão e ouço as mentiras e me sinto bem, a vida se tornou um jogo, na qual ninguém terá a chance de sair vivo. Mê dê um minuto para respirar, segure minha mão e me dê um voto de confiança que eu serei mais forte amanhã. E esqueça, ainda não consigo seguir seu conselho e não me desabafar com o meu querido diário.” 
~ Desabafo 

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